O Projecto

O Projecto – Carta Branca a Vera Mantero – pela sua dimensão e participante, agrega em si naturalmente uma série de outras iniciativas dentro de uma linha de coerência apenas possível pela duração no tempo e o currículo da interveniente.

Primeiro a possibilidade de ver rever partilhar todo um percurso artístico. Depois inovar investigar e experimentar potenciando a utilização de todas as ferramentas de trabalho sem quaisquer limitações ou preconceitos no sentido de uma nova criação.

Pelo meio a ligação às comunidades escolares que se esclarece entre Visitas-Oficina – onde há um entendimento efectivo do desenvolvimento dos processos e trabalho – a Acção Participativa – com um envolvimento prático e efectivo nos trabalhos que estão a ser realizados – e as Aulas de Apresentação – de carácter mais expositivo e elucidativo onde os autores participantes expõem o seu percurso em aula aberta. É um trabalho que envolve os Agrupamentos de Escolas do Fundão bem como as comunidades onde estes se integram.

Carta Branca a Vera Mantero

Fui convidada pela Luzlinar em parceria com a Moagem a realizar uma residência no Fundão e no Feital durante um ano entre abril de 2015 e abril de 2016. Esta residência será ocasião de dar a conhecer o meu trabalho mais aprofundadamente às populações destas duas localidades e de colocar essas populações em contacto com as minhas obras os meus processos de trabalho as minhas inquietações e interesses.

A residência será desenhada num primeiro tempo em torno de trabalhos meus já criados que serão apresentados ao vivo no Fundão e no Feital. Serão levadas a cabo uma série de acções antes da sua apresentação empreendidas junto de diferentes grupos populacionais escolares ou não que têm como objectivo facilitar a criação de olhares e a compreensão de códigos presentes nas linguagens usadas nesses trabalhos e criações. Num segundo tempo a residência será também ocasião para a criação de um novo trabalho.

Um trabalho que não será necessariamente uma apresentação cénica num palco mas que virá antes a tomar diversas formas tanto em termos espaciais como em termos temporais. A construção desse novo trabalho será também feita em relação com esses grupos populacionais prevendo-se acções de interacção com o processo de trabalho visitas ao estúdio mostras do trabalho em progresso conversas documentação criação de diários online realização de oficinas cujos resultados poderão ser integrados no novo trabalho entre outras acções possíveis. A experiência de anos que tanto a Luzlinar como a Moagem têm em termos de contactos com escolas associações e outras entidades locais garante a possibilidade de uma real aproximação às comunidades.

Encetei também diálogo com o grupo informal Covilhã em Transição que apesar desta designação tem membros e actividades muito activos também no Fundão que empreende iniciativas e acções nesta zona do país em torno das questões da sustentabilidade ambiental económica e social. Este contacto e muitos outros certamente ainda a fazer é fundamental para prosseguir também aqui um cruzamento entre a actividade artística e as questões da sustentabilidade que venho desenvolvendo desde há dois anos.

É meu objectivo cruzar estas duas vertentes em todo o projecto desta residência estando já prevista uma primeira iniciativa em Junho no Parque do Convento onde trabalhos meus já existentes serão apresentados no ambiente do parque e onde se apresentarão primeiros trabalhos feitos em interacção com a comunidade.

Vera Mantero